terça-feira, dezembro 14

Acordem para o país em que vivem.



Segundo um inquérito ao Estado da Nação, divulgado pelo JN, os portugueses têm muito má imagem do país.


Desde os múltiplos casos de corrupção, o estado e eficiência da Justiça, o facto de termos atrasados mentais a governar o país, tudo serve de ingrediente neste bolo amargo que se tornou Portugal.

Mas o problema, é que apesar da população sentir comichão aqui e ali, dando o exemplo da subida do IVA, ninguém se manifesta, ninguém percebe o quão gananciosos são os nossos governantes. E asseguro-vos, porque as provas estão presentes em cada notícia relacionada com a economia portuguesa, que essa ganância não funciona a favor dos portugueses.

Não haja ilusão de que corrupção só existe em Portugal. Existe em todo o lado. Só que enquanto noutros países a corrupção até pode ajudar o estado da nação em causa, em Portugal é mais uma dose de terra para nos enterrar a todos. É que lá fora, até os corruptos devolvem algum do lucro ao Estado, e a longo termo, vemos casos como a Russia a mexer de novo. Alguém tem dúvida da corrupção existente na Russia pós-União Soviética?

A verdade que quero realçar aqui, é que lá fora, quando as coisas batem no fundo, os maiores talentos têm sempre uma oportunidade para se manifestarem e auxiliarem o país a voltar a ser algo decente. Aconteceu com os EUA, aconteceu com a Russia, aconteceu com a China ou até mais perto de nós, com a Alemanha.

Eu sei que nada é linear, nem tão bom quanto parece, principalmente olhando para o estado da própria economia mundial, mas precisava de ser tão mau?

"Quero o teu dinheiro, a tua reforma, a tua educação, o teu sentido de justiça, e qualquer outra coisa que seja suposto receber de um Governo democrático."


Se não sabem de mais exemplos, azar o vosso. Deviam. Deviam ter a responsabilidade de serem cultos o suficiente para saber que Portugal não é um caso único, nem somos uma espécie de buraco negro onde qualquer Euro que entre, desaparece para os bolsos de alguém.

Tal realidade está presente neste momento, porque VOCÊS e apenas VOCÊS assim o querem.

Não vou fazer disto um texto político, porque este blog só mete política quando envolve o sector automóvel. Mas para perceberem como toda a gente está a ser comida por lorpa, e nem repara, dou-vos este caso que me chegou às mãos, estupidamente semelhante ao meu dilema diário (usar as "SCUT" ou apanhar trânsito):

"(...) moro na freguesia de Gulpilhares, a menos de 100metros da entrada para a A29, no sentido Espinho-Porto.


Desde a introdução dos novos pórticos de pagamento electrónico/automático, deparo-me com a decisão de arriscar ir pelas estradas antigas e apanhar trânsito, possivelmente deixando os meus filhos na escola demasiado tarde, e chegar ainda mais tarde ao meu local de trabalho, ou abrir a carteira e deixar 45cêntimos nas portagens da A29.


O que me incomoda mais ao pagar 45cêntimos na portagem, é que efectivamente, apenas uso uns meros metros da A29, porque que saio de Gulpilhares, entro na A29 e volto a sair para entrar na EN109, em direcção a Gaia/Porto.


(...)


Das duas primeiras vezes que passei lá, dirigi-me aos correios e fiz o pagamento das portagens. O total, das duas vezes, rondou os 8€. Achei demasiado, mas como era algo excepcional, aceitei esse encargo pontual.


O problema, é que mais tarde acabei por sofrer vários atrasos, devido a razões pessoais, e acabei por necessitar recorrer à A29, para encurtar as minhas viagens em, pelo menos, 30 minutos.


Da primeira vez que essa situação se verificou, não efectuei o pagamento a tempo, por erro meu. No entanto, dois ou três dias depois, recebi uma carta em casa, da ASCENDI (a concessionária da A29), a informar que tinha de pagar à volta de 8€ pela utilização da via em causa.


Mais uma vez, até surpreendido com o sistema, efectuei o pagamento por MultiBanco, e ficou tudo tranquilo.


Voltei a usar a via, várias vezes, e como a época natalícia está próxima, a A29 é um atalho extremamente útil.


Só que desta vez, recebi uma carta com as minhas utilizações da via, e o valor a pagar ronda os 80€.


Surpreendido, decidi averiguar o porquê de um custo tão alto, e fui prontamente esclarecido. Sou obrigado a pagar 80€ em portagens, apesar de, tecnicamente, nem sequer usar a A29, apenas uso uma das saídas, que por azar, tem um pórtico lá instalado."

A única solução para encontrar algo positivo nas decisões do Governo.


Este caso é muito semelhante ao meu. Não uso a auto-estrada em si, apenas dois dos acessos (entrada e saída) que têm uma distância entre eles de, sensivelmente, 100 metros.

A questão, é que quem passa lá, não é discriminado. Não interessa se o condutor em causa utilizou a A29 toda, ou se usou 100 metros. Passa por baixo do pórtico, PAGA.

Se 45cêntimos já é um valor estupidamente alto para o tipo de viagens que são feitas na zona de Gaia/Porto na A29, imaginem o que é pagar 80€ por utilizar 100metros de auto-estrada.

Nem indo a Lisboa e voltando se paga tanto. No entanto, paga-se 80€ por usar uma entrada/saída da A29?

Eu passo a explicar o porquê de tal valor:

É que para além do valor da portagem (45cêntimos de CADA VEZ que se passa debaixo do pórtico), ainda é adicionado o valor do Custo Administrativo(CA).

O que é o CA? É o custo associado ao tratamento de dados (fotografia da matrícula + recepção dos dados na central + elaboração da carta + envio da carta + horas de trabalho de um funcionário qualquer que verifica tudo).

Moralmente, até aceito que me cobrem €2 por cada carta. Até acho um custo administrativo justo, dado que o utente não está nem registado, nem possui os pénis-digitais que agora, em teoria, somos obrigados a ter no carro.

No entanto, é aqui que começa a anedota. É que a ASCENDI não cobra €2 por carta. Não, porque isso seria justo, e Portugal não é um país justo, nem os idiotas no Governo têm capacidade para governar.

A ASCENDI (e aguardo confirmação de outros leitores de outras zonas do país para confirmar que o mesmo se passa com toda a gente) cobra €2 por cada passagem no pórtico................MAIS IVA.............cobrado a cada passagem no pórtico.

Para quem está confuso porque andou a fumar cigarros engraçados, eu mostro os dois cenários:

JUSTO: 45cêntimos X 25 passagens = 11€±. 11€ + 2€ = 13.

Estilo Português: 45cêntimos + 2€ = €2,45, e depois, €2,45 X 25 passagens = €61±

"Só 60 euros?!" perguntam-se as vossas cabeças oprimidas... Mas eu respondo. O resto, que perfaz a belíssima conta que ronda os 70 e poucos euros (assumindo 25 passagens), vem do IVA.

Resumindo, 11 euros é o custo de utilizar efectivamente o pórtico (leia-se PÓRTICO, e não "SCUT"), e os restantes 60 euros são pagos em custos administrativos.

Eu podia deambular, escrever uma carta aberta toda pingada de emoção, apelar ao hino, às velhinhas e ao vinho português, juntamente com o azeite, o galo e o Cristiano Ronaldo...

...mas tudo se resume à mesma pergunta, vezes sem conta:

Mas que merda de país é este?!


É esta a nossa descrição segundo o Governo.

quarta-feira, outubro 20

E depois da tempestade...

Já vai algum tempo, desde que fiz o meu último post neste blog.

Nessa altura, ainda não "tinha" de pagar portagens. Ainda não tinham decidido manter a filosofia de besta (porque, sejamos realistas, não há outra palavra para os descrever) e continuarem a sugar o que não lhes pertence.

E quando acham que estou a falar em sentido figurado, a descrever as atitudes menos correctas por parte dos governantes... enganam-se.

Digo "continuam a sugar", porque é mesmo isso que fazem. As SCUT's (ainda me riu de cada vez que digo o nome da concessão... "Via Livre"...) são uma verdadeira palhinha para os bolsos de quem menos merece ter essa palhinha de proxenetismo.

Usando o raciocínio utilizado em post's anteriores, as SCUT's foram criadas como vias "simplificadas" das auto-estradas, para promover o desenvolvimento das regiões abrangidas por elas, interligar grandes centros urbanísticos, e ainda reverter o efeito de centralização da população.

Mais uma vez digo: a ideia, nem é má, se fosse honesta.

O problema é que não é. O problema do jornalismo em Portugal, é que é feito, na maioria das vezes, por pessoas que se preocupam mais em escrever à jornalista, do que em fazer jornalismo. Porque a questão está na informação que se apresenta, e não apenas e só, na maneira como é apresentada.

Desde a nítida falta de programas de automóveis em Portugal, porque todos os jornalistas que embarcam por essa vertente perdendo toda a capacidade de fazer humor e cativar o mínimo interesse nos automóveis que analisam, seja por termos casos na Justiça portuguesa, que têm conclusões óbvias e, no entanto, nenhum jornalista as consegue tirar.

Quando se falam naqueles casos, mais que conhecidos, de X autarca ou Y político, ter comprado terrenos ilicitamente, acham que é porquê?

Porque apesar de quem está no poder, tomar decisões que afectam todos e não olham apenas para os interesses de alguns, os cidadãos têm de ceder perante certas situações, desde que haja o mínimo acordo e noção de justiça...

...O que leva ao caso: se tiverem uma casa, ou um terreno, ou qualquer tipo de propriedade, num local onde o Governo português precisa de construir algo, eles são obrigados a pagar-vos o valor comercial da vossa casa/terreno/propriedade e ainda mais uma indemnização por estarem a deslocar as pessoas do que até pode ser a casa onde nasceram.

Isto é normal. E é justo. Tão justo que está calculado no custo das obras quando estas são ponderadas. Há clausulas a referir o custo do impacto na população (AKA, limpar as casas todas pelo caminho).

A questão é que esta qualidade de justiça, num país como o nosso, não passaria muito tempo sem ser mal  aproveitada, ou aproveitada para fins menos próprios.

A chulice de que falo, é quando senhores com o mínimo poder, ou dinheiro para isso, decidem comprar X terrenos, porque sabem perfeitamente (dado que normalmente participação nas comissões das obras) onde irá passar o trajecto da auto-estrada.

Não se trata de construir as auto-estradas a unir pontos onde autarcas compram terrenos, seria demasiado hilariante, mas não abusemos.

O que estes senhores fazem, é usar a informação que dispõem sobre as obras, que mais nenhum outro cidadão ou investidor tem, e decidem usar essa informação ilegalmente, e compram terrenos meses, dias ou horas antes de ser anunciada a obra.

Conclusão? Ninguém dá dois tustos por um terreno no cu-de-Judas, sem acessos e sem civilização à vista. Mas esse terreno pode duplicar ou triplicar o custo de compra, quando é anunciada a obra, porque para além do dinheiro devolvido, ainda existem as indemnizações.

E depois perguntam-se "por que raio é que um gajo como Y, comprou terrenos aqui?". Aí têm a resposta.

É que o esquema é tão subtil (embora óbvio), que quem compra estes terrenos e propriedades, como o faz imediatamente antes da obra ser anunciada, dificilmente perdem qualquer valor comercial. Ou seja, se compro um terreno por 100.000€, tenho esse valor de volta, e mais, por exemplo, 400 ou 500.000€, dependendo da maneira como a obra afecta a propriedade...

O que leva a outro ponto:

Este esquema provavelmente tornou-se um vício naquela malta. Tanto, que não me espantava nada que muitas "grandes" estradas que andam aí a ser construídas, ou o foram recentemente, fossem decididas de ânimo leve para satisfazer os interesses de uns. (Lembram-se daquela história da justiça na decisão que afecta muitos, em detrimento do bem de poucos? Irónico, não é?)

Ou seja, vamos mandar para o ar, que muitas das SCUT's, são casos desse género. Autênticas máquinas de fazer dinheiro com indemnizações...

Será justo estarmos a pagar 15, 20, 30 ou até 45(no meu caso) cêntimos para manter um custo de uma obra, que provavelmente até foi decidida para mamar dinheiro à nossa custa?

É ser chulado, ser violado, e ainda terem a lata de cobrar pela violação. Eu não gostava de ser prostituta, mas não tenho escolha vivendo num país como Portugal. É ofensivo a maneira como as coisas são geridas neste país, afectando sempre os mesmos, da mesma maneira, com as mesmas consequências:

Uns vivem demasiado bem, outros tentam viver.

Até agora, tinha-mos imensa gente a viver numa camada social, onde nem sentia grandes riquezas, nem se deixava ir para a pobreza facilmente...

No entanto, cada vez mais, pessoas que tinham um estilo de vida normal, estão a começar a sentir graves dificuldades. Eu nem quero imaginar as dificuldades vividas por gente com posses mais humildes do que as da classe média.

E não é só o dinheiro de pagar as portagens que temos de referir. Contem as horas de trabalho perdidas no trânsito, porque em vez de usar as SCUT's e fazer uma viagem de 5 minutos, têm de ir pela nacional ou por cascos-de-rolha, e demoram 3 ou 4 vezes mais. São €'s perdidos por milhares de empresas, ou até instituições. Pelo quê? Por uns cêntimos.

Dou o exemplo de uma escola perto da zona onde vivo. Com SCUT's, e o nível de trânsito normal, demorava-se 2 ou 3 minutos a percorrer a rua toda e contornar a escola.

Sem SCUT's? Se demorarem 30 minutos, estão com sorte.

Mantenham-se atentos. Irei publicar um vídeo com um exemplo perfeito da brilhante ideia de cobrar as viagens das SCUT's, o que afecta a vida de muita gente.

segunda-feira, julho 12

A caça ao CO2.

Se eu fosse a contar esta situação como analogia, muita gente ainda poderia pensar que era uma história semelhante aquela que se conta aos miúdos (ou a gente muito burra) sobre a caça aos gambuzinos.

Gostava de dizer isto a brincar, mas infelizmente é muito sério.

Num artigo anterior, referi que vejo com alguma tristeza quando uma marca com identidade própria (ex.: Porsche) decide tentar tomar conta de outros mercados, como o mercado dos carro utilitários (ex.: Porsche Panamera).

Um Porsche anti-Porsche.


Mas ainda tolero isso, porque apesar de serem carros que não fazem parte da "cara" dessa marca, ao menos ainda há o potencial de serem grandes carros. Apesar de todos os defeitos que possam ter, estes carros ainda conseguem transmitir alguma essência automóvel, algum gozo na sua condução.

O que eu já não consigo a tolerar, e começo a ter medo que o meu organismo comece a vomitar de uma maneira compulsiva líquidos estranhos, de cada vez que vejo uma coisa destas:

Aston Martin Cianeto... (é Cygnet)

Para aqueles que estão mais distraídos e ainda acreditam em campanhas de marketing, este carro existe porque a Aston Martin "acredita" que o típico dono de um Aston Martin sente a necessidade de ter um carro utilitário pequeno para se deslocar na cidade, para o seu dia-a-dia normal, ou simplesmente para oferecer ao filho/filha que ainda não têm juízo nem tomates para conduzir o DBS do papá.

Peta.

Este assunto veio à baila (na minha atenção) ontem enquanto via, muito relaxado, o programa televisivo Top Gear.

Durante o segmento das notícias, deram a conhecer a nova norma da União Europeia (não é nova, mas só agora estão a vir ao de cima as consequências).

Para quem não viu o programa (...que em Portugal engloba quase toda a gente), a norma da UE em causa refere o seguinte:

"A média para a frota de automóveis registados na UE é de 130gramas por quilómetro(g/km). Esta 'curva do valor limite' (posso ter traduzido mal o termo) implica que possam existir carros com emissões mais altas, desde que os carros da mesma marca com emissões mais baixas possam manter uma média dentro das normas estabelecidas."

Esta é a Regulamentação Nº 443/2009, já agora.

Nerd da UE.

O que quer isto dizer?

Que uma marca pode construir carros poluentes, desde que, para cada carro poluente existam 10, 20, 30 carros vendidos que sejam "não poluentes" (ou seja, emissões baixas).

Se ainda não perceberam, eu dou um exemplo concreto:

A Bugatti é "controlada" pela VolksWagen, logo, para fins legislativos, o nome VolksWagen é que conta, dado ser o nome da empresa-mãe.

No entanto, a Bugatti constrói um carro chamado Veyron que manda para o ar certa de 596g/km de CO2 (em média...porque o valor de pico é muito mais alto...o dobro). O que isto quer dizer é que a VolksWagen, para não ser penalizada, tem de construir e vender um modelo com emissões muito baixas.

Ou então aposta nos carros verdes.


Isto parece um problema, mas não é. Pelo menos no caso da VolksWagen, porque enquanto eles vendem um Bugatti Veyron de 1 milhão e meio de euros, no mesmo período de tempo venderam milhares e milhares de VolksWagen Polo, Golf, e por aí fora.

Ou seja, a nível de média, esta medida até é boa para a VolksWagen, porque dá margem para a Bugatti construir carros que poluem mais do que a China toda metida num frasco, e não têm de se preocupar em ter a UE à porta a pedir justificações pelas emissões de CO2.

Se a média fosse feita de acordo com os modelos disponíveis, era um problema, já que os valores baixos não seriam em número suficiente para contrapor um único modelo com valores astronómicos.

No entanto, a norma aplica-se sobre a frota de carros vendidos, ou produzidos. O que significa que é irrelevante, porque aposto que por cada Veyron que a VolksWagen vendeu até agora, também vendeu milhares e milhares de Polo's/Golf's/Passat/etc.

Mas o cenário de rosas e vinho verde acaba aqui.

Não me lembrava de mais nada para pôr como imagem.


É que enquanto a VolksWagen, e até marcas como a BMW e Mercedes, agora têm margem para bater asas e fazer carros estupidamente rápidos sem olhar aos limites ecológicos no motor, outras marcas estão em vias de extinção.

Se por cada carro poluente que ultrapasse o limite europeu (130g/km) a marca é obrigada a vender várias vezes mais carros de baixas emissões, digam-me o que vai acontecer a marcas como a Aston Martin.

Isto não é assim tão fácil de entender quanto isso, porque nem tudo que parece, é... Aposto que a maior parte de vocês deitou as mãos à cabeça com medo de "perder" a Lamborghini, Ferrari e afins.

No caso da Lamborghini, podem estar descansados porque faz parte do grupo Audi, e a Audi tem mandado cá para fora carros bastante amigos do ambiente.

Aposto que o tubo de escape do Reventón cheira a verduras.


No caso da Ferrari, basta pensar no grupo Fiat, o que também lhes dá margem de segurança.

Mas a Aston Martin está num beco sem saída. E é aí que entra o penico Cianeto (Cygnet). No fundo, o Cygnet é um Toyota iQ com o logotipo da Aston Martin e umas saídas de ar no capo.

Eu... Eu já nem digo nada. Se isto é um carro, o José Castelo Branco é um homem.


No fundo, esta jogada da Aston Martin não passa mais do que uma tentativa de manter a cabeça fora de água para evitar uma multa vinda da UE. Se conseguirem vender um Cianeto por cada DBS/DB9, Volante ou Vantage, ainda vão conseguindo manter uma média tolerável, já que as emissões do Cianeto são ridiculamente baixas.

Mas as consequências desta medida não se ficam pela Aston Martin. Todos aqueles construtores de carros de luxo, que se dedicam apenas a construir obras de arte, bestas sobre rodas, e material para sonhos de putos de 5 anos, estão em risco de se perderem nos livros de história.

Digam-me, qual será a saída para um nome mágico como a Pagani, se forem obrigados a seguirem estas normas.

Carros míticos como o Pagani Zonda serão memórias de uma juventude que ainda teve a sorte de os ver nascer.

Digam-lhe adeus.


Quem anda a dirigir as rédeas do movimento ambientalista, precisa de ganhar um bocadinho de juízo e pensar um pouco nas consequências. Não se trata de trabalhar para os ricos, nem sequer chegar perto disso. Trata-se de qualquer pessoa ainda ter o gosto, sonho, desejo, de ainda conseguir ver de vez em quando carros tão extraordinários como o Pagani Zonda.

Se são excepções, se são carros que praticamente não saem à rua, e são só para elites, então para quê castrar o seu desenvolvimento? Ainda compreendo o recalcar nos modelos que são vendidos em massa. Mas já que há tantas excepções e o processo legislativo é tão complexo, será pedir muito para manter uma janela aberta para estes construtores?

De uma vez por todas, parem de mexer com a paixão automóvel.


A nossa sorte...

Depois de umas merecidas férias, há que voltar a mandar à merda tudo que há de bom em Portugal.

Como este blog não é só sobre os carros em si, mas também assuntos que os envolvem, era praticamente inevitável que as SCUT viessem ao de cima, num artigo próprio.

Ora, a minha disponibilidade para andar a coça-los nas estradas da minha área e indo por caminhos que normalmente não uso, transformou a minha visão relativamente ao problema das SCUT. E não é que este lindo país me dá a alegria de mudar uma perspectiva pessimista para uma visão hilariante?

O problema está no facto de que a situação das SCUT ser tão grave, patética e simplesmente tão regada com idiotice, que a única coisa que já consigo fazer é rir.

Riu-me, porque é a melhor maneira de descomprimir a pressão de sentir que tenho duas escolhas a partir de Agosto:

1- Escolho estradas alternativas, que são uma merda, e onde tenho a certeza absoluta que vou apanhar um trânsito infernal, porque ninguém no seu perfeito juízo vai pagar 1€ (0,50 ida + 0,50 volta...valor hipotético) por dia para usar vias como a A29.

2- Começo a prostituir amigas (porque o meu cu é sagrado) e continuo a usar a A29.

Ou finalmente...

3- Acordo às 5 da manhã, demoro 10 minutos a chegar ao Porto (porque sem trânsito é esse o tempo que demoro) e fico a dar milho a pombos à espera da hora de picar o ponto.

Puxem o que puxarem por essa imaginação, encontrando mais ou menos soluções, acabam todas por ser uma merda à alternativa que existe actualmente, que é usar aquela merda sem pagar.

Ninguém tem o direito de me obrigar a colocar no meu carro seja o que for, que implique mais custos para a sua manutenção. Ponto final. E garanto que provavelmente não serei o único a procurar meios legais para me defender de empresas como a Via Verde que já esfregam as mãos de contentamento.

Pedi estas AE's? Não. Foi um Governo que decidiu iniciar a construção de várias vias SCUT, que caso não se lembrem significa que não têm custo para o utente/utlizador/palavra começada por U.

Se a decisão não foi minha de construir aquela via, e eu tenho outras vias que possa utilizar, então ninguém tem o direito constitucional de me obrigar a pagar 25€ por mês para ter uma caixa no carro que provavelmente não vou usar.

Eu já fiquei todo contente quando passei a barreira de "condutor jovem" e passei a pagar menos no seguro, e vêm estas bestas políticas dizer que eu sou "obrigado" a pagar mais 25€ por mês para aderir a um serviço que não pedi e me foi impingido?

Só em Portugal é que acontecem merdas destas! Não falo da situação de impingir estas medidas... Falo sim de ver esta merda toda a acontecer no espaço de meses e ninguém fazer a ponta de um corno.

No outro dia estava a ver televisão, e aparece um gajo que tem mais ar de pseudo-intelectual, a dizer que não apoia manifestações violentas contra estas medidas?

Manifestações sem violência que não levam a lado nenhum, já estamos nós fartos! Em todos os sectores profissionais que têm problemas as pessoas recusam-se a lutar pelos seus próprios direitos. E nem precisamos de falar em profissão, basta ver que a maior parte das pessoas quando é fodida por X empresa em Y serviço, raramente apresentam reclamações ou queixas formais.

O que estes senhores desses movimentos (já que foram longe ao ponto de criar um movimento) deveriam fazer, era promover formas de luta violentas. E com violentas, não falo em atirar calhaus aos radares ( apesar se isso até ser uma boa ideia), mas falo sim em formas agressivas que metam o Governo contra a parede e os obriguem a assumir as responsabilidades que têm enquanto Governo.

Se tomaram a decisão de as construir para alimentar os filhos-da-puta dos vícios aos amigos nas autarquias e municípios, ao comprar terrenos por tuta e meia onde sabiam que ia passar a auto-estrada, e depois lucrar com indemnizações ao vender esses mesmos terrenos, então que também sejam homenzinhos ao ponto de assumir essa decisão!

Mais uma vez digo, só o belo português é que é fodido e ainda passa a mão no pêlo a quem o fode...

Segundo alguns dados que andam por aí, as SCUT em causa (zona Norte...E eu nem me vou meter na discussão de estarem só a colocar as SCUT a pagar no Norte...Nem vou por aí!) custam em média 12 milhões por mês a manter.

12 milhões é muito dinheiro... Mas se pensarmos bem na questão, vivendo (em teoria) numa democracia, 12 milhões até é um valor que é possível resolver...

E quando digo resolver, falo em cortar noutros sectores para manter esse custo de manutenção.

Agora, eu sei que essas cabeças estão a fazer faísca a pensar onde se vai cortar custos para manter as SCUT. Esqueçam a saúde, o ensino e essas tangas todas.

Pensem comigo, e digam lá se não é a melhor solução:

Há uns tempos atrás, vi uma reportagem relativamente aos meios de transporte dos senhores deputados da Assembleia. Pasme-se (eu não pasmei, mas há quem ainda ande neste país a dormir) que a maior parte faz o trajecto casa/AR e AR/casa, num bruto BMW topo de gama, ou num Mercedes ou num Audi...  Alguns dos casos (como o Sr. Jaime Gama...que tinha de dar o exemplo) chegam a ter carros como o BMW 760Li.

Eu vou-vos dar uma chapada jeitosa de realidade com este (e é só um exemplo) pequeno automóvel.

Logo para começar, aqui fica uma imagem:

"Ora...dê-me aí qualquer coisa modesta..."

A seguir, digo-vos que este carro tem 544cv de potência. Mas antes de pensarem que é tudo por velocidade, digo-vos que não é.

Apesar de ser um carro rápido, tem esta potência toda mais por necessidade do que para ter gozo na condução. É que este carro simples é considerado limousine (aliás, é daí que vem o Li), com todas aquelas paneleirices de pneus que continuam a "rodar" mesmo furados, vidros resistentes a balas e essa tanga toda...

Quem olhar e reparar no Sr. Jaime Gama a passar neste carro, até pensa que vivemos num país muito rico, ou então em estado de guerra civil.

Onde é que uma nódoa humanitária como o Jaime Gama necessita de ter um carro resistente a balas? Digam-me, porque eu gostava de saber por que é que vou ter de pagar 1€ por dia, ou ir por estradas de merda com trânsito, só porque temos "representantes" no Governo a andarem num carro que custa para cima de 180 mil euros. UM DELES! Porque falta falar dos outros deputados e kengalhada associada...

E depois ainda temos as viagens. Provavelmente já viram as notícias dos últimos dias, e a celeuma que está a dar as declarações de custo de deslocação dos deputados. Mas é mais fogo de vista do que outra coisa. 

Aparecem feitos anjos de moralidade, a dizer que a partir de agora vão viajar em classe económica em viagens de curta distância.

Meus amigos... Sabem o que é uma viagem de curta distância? 50...60 Km's. Parece muito? Se for em auto-estrada são 30, 40 minutos. E vejamos uma coisa, eles até são uns gajos porreiros, e até vão nos carros de "serviço" nessas deslocações.

Foda-se! Estão-me a dizer que eles não se importam de deixar de andar de avião, e até nem se importam de ir de carro em viagens de curta distância?

Se de cada vez que eu tivesse de fazer uma viagem curta me oferecessem um BMW 760Li, até me vinham os tomates aos olhos. Não só isso, mas estes senhores para além de não pagarem a deslocação, ainda a fazem com motorista.

Grande maioria das pessoas que todos os dias trabalha e paga impostos (que são usados nestas merdas, directa ou indirectamente) vinha-se quatro ou cinco vezes se tivesse a oportunidade de conduzir este BMW, quanto mais andar a passear num com motorista!

É isto que vocês aceitam como país? Estarem a levar as coisas para um nível em que um trabalhador, só porque se tem de deslocar até ao trabalho, paga mais de 30€ por mês só em portagens (sem contar com a mensalidade dos equipamentos...ainda quero ver isso), enquanto os lordes do Governo andam a passear em primeira classe ou de limousines?

...está na altura de acordar e tomar um café bem forte, porque enquanto dava para meter estas despesas e luxos debaixo do tapete, o país ainda andava. Só que agora está a merda toda a bater na ventoinha, e vai para toda a gente, e estes luxos e estas roubalheiras, já não são fáceis de esconder. Alguém vai ter de assumir a responsabilidade dos custo destas auto-estradas, e não vão ser os utentes, que não as pediram, a pagar maus vícios.

Garanto que prefiro fechar este blog, mandar a minha paixão por automóveis pelo cano abaixo e começar a andar a pé, por muito que me custe, do que andar a sustentar prostitutas e abdicar dos meus direitos.

Eu votei para ser correctamente representado, de acordo com as minhas ideologias políticas e sociais. Não votei para escolher qual o cromo que vai para uma assembleia fazer que discute com os amigos, e para escolher quem me fode o dinheiro no bolso que me custa a ganhar.

Vias complexas que são estritamente necessárias, vias de uma dimensão gigantesca e coisas que tais... Apoio completamente, tal como o caso da A1. Uma auto-estrada que liga as duas maiores cidades do país, que tem uma dimensão considerável, é necessária e necessita de manutenção. 

É uma realidade simples, e pago as minhas portagens com todo o gosto.

O que eu não aceito é que um Governo se faça de anjinho e bom samaritano, crie umas vias chamadas SCUT onde ninguém tem de pagar, no fundo para dinamizar as regiões que as têm e aliviar o trânsito, para depois vir dizer que afinal é preciso pagar pelo menos 50 cêntimos para percorrer um par de Km's.

Fomentam este desenvolvimento regional, criam condições excelentes para o desenvolvimento do comércio, indústria e todos os outros sectores (inclusive o turístico), deixam passar uns anos até chegar ao ponto em que as regiões já não funcionam sem as SCUT, e depois iniciam o processo para se começar a pagar pela utilização?...

Eu acho que nem a fazer o filme a uma gaja durante semanas a consigo foder tão bem como o Governo fodeu o Norte!

Depois, para adicionar a parte doce do problema, olhamos para casos como o TGV.

Se estes políticos "sérios" que temos na AR não sabem planear projectos como as SCUT, ainda há quem tenha fé neles para planear o TGV? Tudo bem que o TGV é mais um acesso rápido da economia espanhola ao mercado interno português, logo, a maior parte do planeamento já vem deles...

...mas querem mesmo confiar dezenas ou centenas de milhões nas mãos deste Governo?

Eu não. E cada um que meta a mão na consciência para analisar como encarar isto.

No fundo, a questão baseia-se mesmo no planeamento. As SCUT foram idealizadas. Tudo bem, a ideia é excelente e tem o potencial de dar um pequeno empurrão às regiões que anteriormente não tinham grandes acessos.

Em seguida, vem a implementação e construção. Tudo óptimo, já que antes de um projecto arrancar, já tem de estar tudo preparado.

Mas no final, vem a utilização. E actualmente, tudo nas SCUT está errado. Desde o facto de ser (em teoria) uma via de alta velocidade não paga, e agora quererem cobrar pela sua utilização, passando pelo facto dos preços serem demasiado altos (se a grande maioria dos utentes usa estas vias diáriamente, mais do que uma vez por dia, 10cents por dia (exemplo) já seria bastante ao fim do mês para rentabilizar a via, e basta multiplicar pelo trafego que estas vias têm actualmente), se isto não estivesse mesmo a acontecer, eu ainda era capaz de achar que isto tudo é um pequeno pesadelo.

Simplesmente desabafo esta realidade com quem se der ao trabalho de ler este artigo.

Posso ser apenas um, mas pelo menos eu já estou farto de andar a pagar pelas hipocrisias e interesses privados daqueles que adquirem alguma forma de poder neste país.

sexta-feira, junho 11

Expectativas que não desiludem.

Grrr!... Sou francês e sou mau!

Não é muito comum um carro de exposição passar a modelo de produção. Normalmente, os carros (protótipos) que vemos nas exposições por todo o Mundo, são exemplos, declarações do que a marca consegue fazer.

"Olhem para mim...fiz este design louco", "Olhem para mim...fiz este design lindo", "Olhem para mim...tenho esta tecnologia nova", e por aí fora...

Regra geral, um protótipo que tenha bastante sucesso numa feira internacional de exposições automóvel, transpira esses sucessos (ideias/conceitos) para modelos que iam existir de qualquer das maneiras. 

Por exemplo, se a Fiat mostra um protótipo que tem uns faróis que toda a gente adora, esses faróis provavelmente vão fazer parte dos novos modelos da Fiat.

No fundo, os salões de exposição são um laboratório para testar ideias e recolher algum feedback da comunidade do sector automóvel.

São raros os casos em que um protótipo passa a modelo, e tem um sucesso esmagador.

Aston Martin Vanquish

Por exemplo, a Aston Martin deu um salto para o sucesso internacional ao expor um protótipo, que toda a gente pensava ser algo normal, como todas as outras marcas...

...a verdade, é que esse protótipo tinha as formas base do Aston Martin Vanquish, e a menos que estivessem lá para a apresentação, não imaginam o sucesso que o carro teve.

Foi um delírio colectivo, a Aston Martin foi louvada aos céus, ao ponto em que tomou a decisão de fazer o Vanquish. O resto é história... O Vanquish era tão brutal que deu a glória ao James Bond de voltar a conduzir um Aston Martin de jeito nos filmes. O que só causou um sucesso ainda maior para a marca.

O resultado? Hoje em dia temos carros como o Aston Martin DB9 e o V12 Vantage.

Mas este artigo é sobre o Citroen GT.

Para aqueles que não perdem tempo a ver estas merdas, o Citroen GT foi desenvolvido como algo supérfluo. Um carro para dar nas vistas, pura e simplesmente.

Teve o seu momento de fama, a partir do momento em que se tornou num dos melhores carros do jogo Gran Turismo 5.

Começou quase por ser uma piada. Foi pedido à Citroen que fizesse um protótipo de destaque para o jogo, meteram a Polyphony Digital ao barulho para produzir os conceitos e design do carro, e voilá.


"Ai...sou tão moderno..."

Obviamente, a Citroen não levou muito a sério a brincadeira, pelo menos ao início. Era mais uma coisa para entreter os "putos" dos jogos, e fazer espalhafato.

Da mesma maneira que o Governo faz com a política, os encarregados pela criação do Citroen GT decidiram inventar....em grande.

No jogo (e só mesmo lá) este carro tem 4 células de combustível a hidrogénio. Pelos vistos é qualquer coisa que também está na água.

Para além de fazer um barulho engraçado — tão engraçado quanto o som de um tornado a arrancar o telhado de uma casa — o carro debitava uma potência engraçada. 789 cavalos de potência.

Pergunto eu... Se estão a inventar um carro e estão, como é que chegaram ao número 789? 790 era feio? 700 era muito baixo, e 800 muito alto? E porque não 750?

Não. Acharam que 789 era o número ideal, como se isso fizesse diferença para um carro que está num jogo.

Eu nem me vou dar ao trabalho de perguntar quais as bases para calcularem tal número. Se existisse a  tecnologia aplicada neste carro, ainda se percebia. Mas não. Não existe tal coisa como células de combustível a hidrogénio, pelo menos ao ponto de produzir 789 cavalos e ainda caber num carro destes.

Apesar de eu achar que uma célula de combustível a hidrogénio é milhares de vezes superior a qualquer merda eléctrica que se esteja a fazer no momento, e até futuro...

Mas vá lá... Pelos vistos os lobbys só existem para o petróleo. Vá-se lá imaginar a existência de um lobby a promover os carros eléctricos (que não resolvem problema nenhum)! Disparate...

Antes que me perca mais, voltemos ao carro...

O Citroen GT, pelo menos no jogo, é uma máquina brutal.

Começa logo por ter sido considerado uns dos carros mais bonitos de sempre. E no fundo, é...

Se não acham o carro bonito, raciocinem comigo:

A Uma Thurman também não é bonita. Não é bonita, no sentido de perfeição. Tem os olhos muito afastados e meio caídos. A boca "não combina" com o nariz... No fundo, parece que alguém andou a atirar fotografias de elementos de várias caras, e saiu a Uma Thurman.

Mas, a combinação é tão estranha e tão diferente, que acaba por ganhar uma beleza própria. É original, diferente... Quase que aquela sedução por irreverência.


Eu disse que ela tinha os olhos caídos...


Passa-se exactamente a mesma coisa com o Citroen GT. A grelha é feia, a forma do carro é achatada, a traseira é estupidamente complexa e tem coisas penduradas...

...mas no fundo, é tão diferente e original de qualquer coisa que ande no "mercado", que acaba por ser lindíssimo, nem que seja por estar tão fora do que os comuns mortais fazem.


Ahh....x2

Para além da bofetada de luva branca que é encarar um design destes, o carro em teoria é daqueles que faz molhar camas à noite. Estatuto digno de qualquer capa de uma revista pornográfica.

O impacto foi tal, que à semelhança do Aston Martin Vanquish, a Citroen sentiu o bichinho de tornar este carro uma realidade.

E será que são loucos ao ponto de o produzirem?


Sim...São.


A Citroen decidiu avançar com uma modesta produção deste protótipo. Não deram o passo de o tornar um modelo oficial, mas fizeram uns quantos.

É, no fundo, uma edição estupidamente rara. Apenas 6 serão construídos.

Mas há um problema...

O motor... É que a Citroen não é famosa por fazer carros muito potentes, logo, não tem nenhum motor que possa debitar 789 cavalos. E nem vos passe pela cabeça imaginar que a Citroen é dona de uma patente para células de combustível a hidrogénio.

Qual a decisão?

Toca a enfiar um motor V8 lá para dentro, a gasolina, que é para não parecer mal.

O resultado não deixa de ser impressionante. 560 cavalos num carro que pesa tanto como o vosso tomate esquerdo, com um design tão aperfeiçoado que até podia ser usado numa nave espacial qualquer que consiga atingir a velocidade da luz (isto se houvesse ar no espaço....hrrmm).

Mesmo assim, o que mais me impressionou foi o som.
 
Aaahh.....x3?

Se querem ter uma ideia, basta o carro estar ligado para o som parecer que Deus, o próprio, está a pedalar numa bicicleta feita de todo o mal do Mundo, enquanto a potência é feita de todos os vossos sonhos despedaçados.

É um som maléfico de deixar o queixo no chão.

E quando o carro acelera, é a mesma coisa que juntar o barulho de todas as guerras até hoje, o Rambo, e o Governo de Sócrates, num motor.

Melhor ainda, o carro "castiga" de cada vez que se levanta o pé do acelerador fazendo um estrondo, mais ou menos parecido, com o som que a nossa mãe fazia quando deixava-mos qualquer coisa desarrumada, quando era-mos pequeninos.

Mas se querem mesmo perceber o quão estupidamente espectacular o som do carro é...Ponham as colunas bem alto:



Isto tudo para ficarem com a noção que só 6 serão produzidos, e que cada um, custa mais de 1 milhão e meio de euros.

Dá vontade de jogar no Euromilhões, não dá?

sexta-feira, junho 4

A decadência...

Renault F1

É com muita pena minha que vejo a situação actual da Formula-1.

Apesar de ter sido considerado o melhor desporto do Mundo, logo a seguir ao futebol, durante muitos anos, a Formula-1 actualmente não consegue fascinar ninguém.

Actualmente, os únicos adeptos do desporto, são aqueles que sempre viveram para a velocidade dentro de uma pista, que sempre admiraram gigantes como a Mclaren e a Ferrari, ou ainda se lembram da verdadeira Formula-1 dos anos 70, 80, e inícios de 90.

Para quem ainda não era nascido na altura, ou para quem nunca se dedicou a ver as corridas no tempo em que ainda passavam em televisões públicas (RTP), fica aqui um pequeno video de amostra do que a Formula-1 chegou a ser durante muitos anos:


Para perceberem a relevância deste video, basta saber que o modelo do Ferrari era considerado fraco comparado com o super Renault Turbo. Juntem a isso o facto do Ferrari ser conduzido por Gilles Villeneuve, e o Renault por René Arnoux, e percebe-se um pouco o porque de ser uma batalha de titãs.

Melhor ainda, fiquem sabendo que essa batalha nem sequer foi pelo primeiro lugar.

O que quero mostrar com este vídeo, uma pequena amostra do que já se fez na Formula-1, é que havia cavalheirismo entre os pilotos. Não só isso, mas esses mesmos pilotos lutavam até ao fim, nem que fosse por um segundo lugar, ou até terceiro...ou quinto...ou 15º.

Não importava, porque qualquer pessoa que estivesse na Formula-1, nos tempos em que ainda era Formula-1, estava lá porque tinha sangue na guelra, e não porque gostava de ser famoso ou ter muito dinheiro.

Melhor do que isso, era a tecnologia aplicada no desenvolvimentos dos carros, a liberdade que as equipas tinham para os desenvolver, as liberdades que os pilotos tinham para conduzir ao longo da pista e a verdadeira paixão que os impulsionava a todos.

  
Não é montagem. O carro tinha mesmo 6 rodas.

Mas esses tempos já lá vão...

Actualmente, a Formula-1 não passa de um palco internacional para show-off descarado. Já não há paixão, dedicação e emoção neste desporto.

Sou completamente vidrado neste desporto, e ao mesmo tempo, sou capaz de dizer que a Formula-1, tal como nasceu, já não existe. Não existe há mais de 10 anos.

E sou completamente honesto a respeito desta opinião. Como provavelmente já devem ter percebido, sou adepto da Ferrari, dentro e fora dos circuitos.

Mas mesmo sendo um adepto dedicado, não valorizo a era Schumacher na Formula-1. Nem os campeonatos consecutivos na primeira década do novo milénio.

Adoraria dar-lhes valor, aprecia-los e até provocar adeptos rivais com as vitórias esmagadoras. Mas não posso. Porque antes do meu orgulho pela equipa, está o meu orgulho pelo desporto, e nunca na vida serei capaz de valorizar algo que, para mim pelo menos, é falso e vazio. Superficial.

E de quem é a culpa?

Garanto-vos que não é das marcas/equipas. Se há alguém que beneficia de um desporto com qualidade, são as equipas. Quantos mais adeptos, mais audiências, e mais audiências significam mais patrocínios. Mais patrocínios significam mais dinheiro para aplicar no desenvolvimento dos carros e contratação de melhores pilotos.

A culpa também não é dos pilotos. Entre trabalharem num desporto que é cada vez mais irrelevante, e trabalharem num desporto que desperta emoções e sonhos nos adeptos, qualquer piloto prefere um desporto emocionante. Logo, também não foram os pilotos a provocar isto tudo.


Esterco.

Para quem não está familiarizado com estas andanças, a FIA está para a Formula-1, como a FIFA está para o futebol.

E qual a relevância da FIA nesta decadência?

É muito simples. A FIA é quem dita as regras. O problema da Formula-1 não está na natureza do desporto, está nas regras. Nem sequer está na crise económica. Continua a estar nas regras.

Muita gente associa as regras a restrições, e que essas restrições levaram à castração da Formula-1. Embora muita gente pense que os carros de Formula-1 têm aquelas asas todas e aqueles penduricalhos todos porque é a melhor maneira de fazer o carro andar, tal coisa não é verdade.

A verdade, é que a FIA impõe regras gerais sobre as características dos carros. A partir daí, as marcas têm de desenvolver maneiras de melhorar mais do que a equipa ao lado. Isso significa pendurar no carro tudo aquilo que conseguirem, dentro das regras.

Mas o problema não está na restrição em si.

Temos desportos como a NASCAR onde os carros são estupidamente idênticos, com regras estupidamente restritivas, e mesmo assim, a NASCAR consegue encher circuitos com milhões e milhões de adeptos. Economias regionais regem-se apenas com a NASCAR.

Então por que é que a NASCAR tem sucesso, e a Formula-1 não?

Porque a NASCAR é feita para ser divertida. Porque os carros têm regras, mas são regras que apontam o desenvolvimento dos carros para o espectáculo, emoção e paixão pelas corridas.

Há muitos arrogantes, tanto em Portugal como no resto da Europa, que gozam a NASCAR ao dizer que não envolve perícia nenhuma porque são carros enormes a darem 500 voltas num circuito oval.

Lembro-vos, que vários pilotos de Formula-1 passaram para a NASCAR e foram Humilhados (com H grande) pelos pilotos de NASCAR. O único que se tem safado bem, é o Juan Pablo Montoya. Apesar de eu achar que é um traste de pessoa, tanto dentro como fora da pista, tenho de dar o braço a torcer pela atitude que teve de mostrar o dedo médio ao elitismo actual da Formula-1, e ir ter um sucesso esmagador na NASCAR.

Ganhou mais na Formula-1 do que no NASCAR, e ao mesmo tempo, tem mais sucesso na NASCAR do que alguma vez teve na Formula-1. E esta, hein?


Não se consegue ver, mas ele está a fazer "piças" à Formula-1.

Depois aparecem os conas da Formula-1, como o ex-Presidente da FIA, Max Mosley (aquele que foi apanhado numa cave com duas prostitutas a simular um fetish sadomasoquista que envolvia Nazis), a dizer que é muito importante elevar a segurança da Formula-1.

Para quê?

Caso ele ainda não tenha percebido, NINGUÉM gosta de ver os seus ídolos morrer. Eu era novo quando o Ayrton Senna morreu. Lembro-me das cerimónias fúnebres, do tempo de antena que um piloto de Formula-1 teve, do movimento social que causou. Toda a gente ficou afectada.

Ao longo da história da Formula-1, vários pilotos de alto nível morreram em acidentes trágicos, e a Formula-1 sempre teve esse lado triste.

E não estou a dizer para tornarem a Formula-1 insegura, de maneira a que comecem a morrer pilotos a torto e a direito.

Mas a NASCAR, por exemplo, consegue ter acidentes a 300Km/h, envolvendo mais de 20 carros (ao ponto da corrida ser cancelada), e saem todos a rir ou à porrada, prontos a correr no fim-de-semana seguinte.

 Existem trabalhos de alto risco. Qualquer desporto automóvel está dentro dessa categoria. Quem se mete neles, tem noção dos riscos.

Perder um desporto com ilusões de que se está a salvar vidas, é patético e acabou por transformar a Formula-1 no que é hoje. Um desperdício de milhões, para um desporto que já quase não tem audiência nenhuma, e que perdeu toda a magia que teve noutros tempos.

Mas não é só a panca da segurança...

Quase tudo na Formula-1 actual é estúpido.

Por exemplo, as regras de incentivo à entrada de novas equipas. Alguns génios (bestas) dizem que não há equipas a entrar na Formula-1 por causa dos custos.

Errado.

Não há equipas a entrar na Formula-1, porque actualmente a Formula-1 é uma merda. Não passa de um palco para exibicionismo de vedetas que não fazem nada para merecer o estatuto que têm.

Poucos são (muito poucos) aqueles que ainda merecem a glória que ainda conseguiram alcançar. E mesmo isso vem com um preço demasiado elevado.

Por exemplo, Michael Schumacher.

Aposto que depois de lerem este nome, os leitores dividiram-se. Uns cuspiram no monitor e bateram na mulher, outros aplaudiram.

Porquê? Porque apesar de haver imensa gente que não o suporta, a verdade é que ele foi o último piloto a ter o mínimo de talento para a Formula-1. E melhor ainda, gostando-se dele ou não, foi o último piloto a conseguir captar emoções na Formula-1.

Não quero saber se ele era porco nas jogadas que fazia ou não. Ao menos fazia jogadas! Ao menos tinha os tomates para fazer o que era preciso para ganhar! Ultrapassava quando parecia que não era possível, bloqueava e cortava o caminho aos que lhe seguiam o rasto.

Era mau, feio, e ás vezes anti-desportista? Era.

Mas ao menos as pessoas ligavam a televisão para ver o que ele ia fazer.

Agora? Temos um puto mimado como o Lewis Hamilton, que passou a vida toda a ser "treinado" para estar na Formula-1.

Chegar à Formula-1 devia ser um prémio para aqueles que tinham a verdadeira paixão pelo desporto, que tinham o verdadeiro talento e a visão necessária, e não simplesmente quem tem um pai que quer meter dinheiro ao bolso com o puto.

Dou 1000 vezes mais valor à carreira de Bruno Senna (sobrinho de Ayrton) do que às vitórias de Lewis Hamilton.

Porquê?

Porque um passou a vida toda a mamar na teta do favoritismo, a ser falsamente preparado para um desporto onde a fama devia ser um bónus, e não uma preocupação. Enquanto o outro, desde miúdo que era aplaudido pelo talento, e limitou-se a  seguir os passos onde conseguia chegar com o talento.

O resultado da merda que é a Formula-1 actualmente? O puto mimado está numa das melhores e maiores equipas de sempre na Formula-1. O outro, está numa equipa que mal tem dinheiro para a gasolina que mete no carro.


Esquema matemático para as ambições da Formula-1.

Espanta-me como ninguém dá importância ao facto do "dono" da Formula-1, Bernie Ecclestone, receber milhões por cada contrato que é assinado dentro da Formula-1.

Espanta-me, como ninguém dá importância, ou sequer fica incomodado, com o facto da Formula-1 (um desporto) ser propriedade de um milionário fútil que conseguiu tornar privatizado algo que deveria ser de todos, pelo menos a nível de audiência.

Até os Nazis baixaram as armas para participar nos jogos Olímpicos. No entanto, a Formula-1 só pode ser vista se pagarmos €30 por mês para um canal que só passa merda.

Como querem que as coisas resultem se toda a gente está mais preocupada com o vil metal?

É lógico que ninguém quer entrar para a Formula-1, porque entrar nesse Mundo, significa baixar as calças e deixar-se ser enrabado por toda a gente que já lá está e conseguiu meter dinheiro ao bolso, e ainda quer meter mais.

As limitações estúpidas são tantas, que é impossível ter um carro decente sem o fazer da maneira que é feito actualmente.

Como é que querem que uma equipa com menos dinheiro entre para a Formula-1, se não lhe dão asas para improvisar por si própria?

Por exemplo, lembram-se da Minardi? Aquela equipa de merda que só deve ter ganho 2 ou 3 pontos em todo o tempo que esteve na Formula-1.

Pois é... Essa equipa de merda, como não tinha dinheiro para andar a comprar os luxos que as outras compravam, decidiu fazer a sua própria caixa de velocidades e transmissão, naturalmente mais baratas.

A ironia, é que essa caixa de velocidades passou a ser utilizada por todas as outras equipas, incluindo equipas como a Ferrari.

Porquê? Porque essa equipa teve de improvisar, e em toda a história da humanidade, a necessidade cria o engenho, e o engenho cria coisas fantásticas. E sempre foi assim na Formula-1. Houve uma altura, em que o cromo que teve a ideia de pôr asas nos carros, foi gozado e humilhado por ter uma ideia tão estúpida, a pensar que aquilo eram aviões.

E como é que os carros são hoje?


Actualmente, os carros de Formula-1 têm mais asas do que um aeroporto internacional.

Mesma coisa com os pneus slick (sem ranhuras).

Os pneus dos carros de Formula-1 sempre tiveram ranhuras. Só que num belo dia, um incompetente de uma equipa adormeceu e não teve tempo de fazer as ranhuras (que eram feitas à mão, com uma lâmina quente).

Resultado? Foram forçados a pôr no carro pneus sem ranhuras. Imaginem a cara do chefe de equipa, piloto, e do incompetente quando viram que o carro era 10 segundos mais rápido do que qualquer outro em pista. De besta a bestial.

Actualmente tal coisa é impossível na Formula-1. Não há improviso, não há desenvolvimento. Nem sequer a alma do carro (os motores) podem ser desenvolvidos!

Tudo segundo uma desculpa esfarrapada de "corte de custos". A teoria, é que se houver um limite do que se pode gastar numa equipa (actualmente, mais de 50 milhões por ano), e tudo for igual, então hão-de aparecer equipas com esse limite de dinheiro que possam competir.

Errado.

Uma equipa que só possa gastar esse dinheiro, só o vai gastar no que lhe é possível gastar, que é exactamente o mesmo que todas as outras equipas. Com a pequena diferença de que há equipas que já estão na Formula-1 desde que ela existe. É um bocadinho óbvia a vantagem, não é?

Se calhar, e isto vem de um tuga que não tem nada a ver com a Formula-1 (excepto, aparentemente gostar mais do desporto do que qualquer outro cromo que lá está a participar), se derem liberdade para desenvolver os carros, para serem loucos e improvisarem, o desporto irá melhorar.

Talvez a Ferrari puxe do seu orçamento de 120 milhões e construa um super-hiper-mega-carro que ganhe tudo, e ficamos todos de boca aberta com um marco da engenharia.

Mas se calhar, havendo liberdade, vai aparecer algum campónio de uma aldeia qualquer, que teve uma ideia ao ver os bois a cagar no campo, que ao aplicar num carro de Formula-1, se tornará a equipa maravilha do século.

O problema da Formula-1 não está na segurança. Não está no dinheiro. Não está nos adeptos nem nos pilotos.

O problema da Formula-1 está nas bestas que a estão a gerir (ou denegrir).